17/05/2006

artigo do suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante (Brasil) Sobre Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo [excerto]


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Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, em termos de invenção ou criação literária, é uma espécie de último degrau a que um escritor, que opta pela prática experimental, consegue chegar. Podemos arriscar qualificá-lo como um escritor que se propõe ir além das conquistas experimentais até então cristalizadas por Rabelais, Sterne, Lewis Carroll, Édouard Dujardin, James Joyce e Cortázar.

António Lobo Antunes empreende uma luta titânica contra o Minotauro no labirinto do texto. De posse do fio de Ariadne, na busca da saída, ele trava uma batalha decisiva. Para encontrar a saída, Antunes usa de vários pretextos, entre eles fratura, mutilação, adulteração e bifurcação do fio da meada, para convencer o Minotauro de que está perdido, deixando no ar a idéia de que o fio se partiu em inúmeros pedaços. Mas apenas quebra o fio e se esconde, sempre numa pequena volta. E, quando o Minotauro, que já conhece o caminho de cor e salteado e, com certeza, já está cansado de trilhá-lo, e guardá-lo indefinidamente, resolve deixar que o protagonista, no caso o próprio texto, desconstrua a meada, após efetuar remendos que possibilitem a arte dos desvios. Então, percebe-se que ele aceita deliberadamente a própria morte. Essa alegoria implica em compreender-se que a morte do Minotauro representa a vida do texto pós-moderno.

A narrativa de Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo é propositadamente descosturada, pois conscientemente armada como O Jogo da Amarelinha, de Cortázar. Só que em Cortázar há a fusão de vários romances ou histórias numa mesma narrativa descontínua, mas que se interpenetram de maneira programada e matematicamente progressiva como um tratado virtuosístico.

Em Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, a descontinuidade é cinematograficamente flagrante, pois ocorre intermitentemente. Nele, todos os textos apresentam cortes instantâneos no nexo das frases ou como um deslance, um contramolde, provocados no momento da frase enunciada e simultaneamente quebrada, fraturada. Percebe-se que, com isso, o escritor pretende representar com frases rupturadas, aparentemente desconexas, a situação caótica das próprias existências dos angolanos que, nas décadas de 60 e 70, durante a Guerra, como que se diluíam ou eram perdidas de vista. Assim, o traçado estético do discurso romanesco de Antunes soa como algo vertiginoso, mas que escoa, estaca repentinamente, como se todas as frases fossem amputadas; como, de uma maneira ou de outra, acontece com as vidas das pessoas durante e após o término das guerras, pessoas que, sobreviventes do holocausto da guerra, estão mortas na alma, perdidas de suas próprias identidades.

Conforme o próprio comentarista da contracapa da obra em questão se expressa “consagrado como um dos mais importantes romancistas portugueses, indicado ao Nobel de Literatura, António Lobo Antunes volta à temática essencial de sua obra em Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo. Neste livro, o autor traça um retrato contemporâneo de Angola, país onde viveu durante a guerra de libertação nacional nos anos 60 e 70.

Homens que somem sem deixar vestígios são os protagonistas deste romance. Assim acontece com o primeiro agente português que viaja à antiga colônia, com uma missão arriscada. Ele não volta, sendo substituído por outro, e depois outro, como na arena os touros vão sendo mortos um a um.

Grande vencedor do XIV Prêmio Internacional União Latina de Literatura, Lobo Antunes exerce com maestria a arte de encantar o leitor, através de uma narrativa subversiva e radicalmente original.”

Como o próprio escritor revela na abertura desta instigante obra literária “romance em três livros com prólogo & epílogo”, António Lobo Antunes, para contar a saga da guerra angolana, que usa como pretexto, ainda que doloroso, para exercitar e esgotar todo seu potencial de conhecimentos sobre criação literária no campo específico da arte romanesca, consegue se superar em tudo quanto antes escreveu e sempre com admirável talento.

António Lobo Antunes é o típico escritor para quem a divisão das composições literárias em gêneros é algo obsoleto e anacrônico, pois ele consegue fundir no mesmo romance todos os gêneros como o fez James Joyce, indo mais além, diluindo os gêneros de tal modo, que em seu texto tudo é apenas pura poesia. Para ele, repetir-se na obra seguinte é sempre um trabalho de preguiçoso.

Obra eminentemente metalingüística, já que o protagonista da história é a própria narrativa, sendo tudo o mais pretexto para que ela se engendre a si mesma. Daí por que ela questiona as próprias construções de textos anteriores discutindo, adulterando e mutilando as técnicas do fluxo da memória e do monólogo interior, no sentido positivo de acrescentar-lhes novos arranjos ou uma gama de possibilidades de fazer com que os textos se desengendrem para um plano de desfechos completamente imprevisíveis.

Aqui a desconstrução do discurso narrativo recria novidades no campo dos flashbacks que passam a ser contínua, ininterrupta e consecutivamente instantâneos.

Os cortes de períodos e frases acontecem em cadeia através de mutações e mutilações de enunciados, cujas seqüências, momentaneamente, ou para sempre, somem, como somem ou desaparecem as pessoas durante as guerras. Assim, famílias inteiras de frases ficam truncadas ou desaparecem, ou se perdem uma das outras, pedaços de sentenças e enunciados se distanciam ou acabam incompletos, exterminados, massacrados, desfamiliarizados como as pessoas durante e após as guerras. Caberá ao leitor, como aos sobreviventes, procurarem nos destroços da linguagem as partes que faltaram ou restaram. Constatamos assim que António Lobo Antunes está envolvido com duas guerras: uma, a de Angola, e a outra, a de uma escrita completamente radical. O ponto crucial é deflagrado contra a ordem preestabelecida das famílias de palavras que corresponde ao massacre ou mutilação das famílias de pessoas. Já não se trata de um recurso meramente paradoxal ou ambíguo, mas do texto mutilado como a retratar a própria mutilação da existência dos seres humanos naquilo que eles têm de mais precioso, que a vida biológica, a identidade. A verosimilhança é tão impressionante que a supra-realidade do texto parece superar a própria realidade da guerra. Assim, o texto transita entre o real geográfico, topográfico, biográfico, beligerante, genocida e o surrealismo da construção do texto cuja tessitura, embora pareça absurda, reflete a própria realidade. Nesse estágio, o escritor atinge a plenitude da arte de escrever, que acontece quando a supra-realidade supera em verosimilhança as atrocidades e massacres da guerra, quando percebe-se o quanto o ser humano, voltando à barbárie, vive mais para a crueldade, o sadismo e o masoquismo, esse estágio radical de aniquilamento do ser humano, reduzido a fera. 

autor não identificado
05.01.2006
excerto do artigo publicado no suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante (Brasil)
leia o artigo completo aqui

08/05/2006

Federico Mengozzi: sobre Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo


Boa Tarde, Angola

António Lobo Antunes é feito para ser lido, não para ser ouvido. Quem quiser que o escritor português, um dos mais aclamados de seu país, esclareça um ou outro aspecto de seu novo romance, o 16o, Boa Tarde às Coisas aqui em Baixo, vai esbarrar em dificuldades. Lobo Antunes não é de pegar na mão do leitor e dar o mapa da mina. Ao contrário: imaginando que formou seus leitores ao longo de 25 anos de literatura, acha que eles podem andar com as próprias pernas. 'O escritor ensina seu leitor a ler', arrisca, falando a ÉPOCA. Por isso, depois de muitas delongas, ele sugere que não lhe perguntem nada e dirijam-se ao livro. Mesmo porque ele apenas o escreveu. 'Não o li. Ao menos não com olhos de leitor.'

Em Portugal, 200 mil pessoas seguiram sua recomendação e foram ao livro, recém-lançado e já na sexta edição. É um sucesso. Mas Lobo Antunes, assim como Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto (brasileiros que ele cita), não escreve para fazer sucesso. O sucesso, se vier, é conseqüência. 'Por que um escritor escreve? Julgo que nenhum escritor saiba dar uma resposta honesta. E a resposta desonesta não me interessa. Escrevo porque circula em meu sangue.' E mais não diz.

É um livro difícil. O autor discorda e cita a alta vendagem. 'Mas é claro que nem todos os que compram o livro o lerão', reconhece, cético. Uma leitura complexa, com parágrafos que a rigor não começam e a rigor não terminam, sem uma história que se revele com clareza, mas em lampejos, flashes que o leitor junta como pode, de acordo com sua percepção. O cenário é a Angola pós-independente, tempo de descaminhos que Lobo Antunes vê sem condescendência. Assim: 'Quando depois do que chamavam independência, isto é dos pretos a entrarem-lhes a porta e a roubarem-nos, isto é dos pretos a matarem-se uns aos outros, isto é dos pretos a transportarem sem desculpas, insultando-se, batendo-se, as mobílias, os fogões…'

António Lobo Antunes é médico psiquiatra, mas atualmente só se dedica à literatura. Participou, convocado pelo Exército português, da guerra colonial e fez de Angola o cenário de vários de seus livros, como Os Cus de Judas (1979), narrado por um médico como ele, que diz de si mesmo: 'Talvez que a guerra tenha ajudado a fazer de mim o que sou hoje e intimamente recuso: um solteirão melancólico a quem não se telefona e cujo telefonema ninguém espera...' Por que, mais uma vez, Angola? 'É um lugar onde vivi por muito tempo. Mais precisamente, por dois anos e alguns meses, durante a guerra, que equivalem a mais anos de vida. Não, não fui ferido fisicamente. Mas há muitas maneiras de ser ferido. Foi uma guerra cruel.'

Boa Tarde às Coisas aqui em Baixo volta ao país, mesmo porque, escreve o autor no livro, 'não se foge de Angola'. Um resumo? Lobo Antunes se recusa a fazer isso. 'Se eu pudesse resumir o livro, não o escreveria. Passei dois anos escrevendo.' Não diz, mas deve pensar que não seria mau se o leitor empregasse alguns dias em sua leitura. Tudo se junta no romance, ficção e realidade, devaneios e reflexões, em três partes, mais prólogo e epílogo, nas quais se misturam agentes de espionagem, contrabando de diamantes, atos de corrupção, a Angola que foi, a que é. E o autor, referindo-se à guerra civil, diz coisas como: 'Visto que todas as crianças usam muletas em Angola...' Uma narrativa que não diz, apenas sugere.

Lobo Antunes já foi considerado o anti-José Saramago. Ele nem nega, nem confirma. 'Não cabe a mim responder.' É, ao lado de Saramago, o escritor português mais conhecido no Exterior. E, se o colega já levou o Prêmio Nobel, ele continua cotado para recebê-lo, embora não ligue muito. 'Não acho importante.' Enquanto o outro se transformou numa espécie de voz oficial da cultura lusitana, Lobo Antunes continua à margem. Até porque não é português de raiz, e sim descendente de uma família brasileira radicada em Portugal, que guardava autores como José de Alencar e Monteiro Lobato na estante - ainda hoje, tem muitos primos no Brasil. Por isso, sempre cita autores brasileiros. Como Saramago, mora fora de Portugal - a maior parte do tempo em Paris. E costuma lançar seus livros por editoras não-portuguesas.

Boa Tarde às Coisas aqui em Baixo é um lançamento de acordo com a fama de seu autor: um inovador que vai além da forma e põe o dedo em feridas abertas.

Federico Mengozzi
em Época
[não datado]

01/05/2006

Rafael Narbona: opinião sobre Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura


Lobo Antunes fez-se romancista porque era incapaz de escrever poesia. A sua impotência perante o versejar tem produzido, não obstante, uma escrita deslumbrante que impregnou toda a sua obra de um forte tom lírico. A complexidade dos seus romances nasce desta peculiaridade, mas tal não significa que o fio narrativo tenha sido sacrificado em benefício da imagem ou da metáfora. Nada mais longe de Lobo Antunes que o esteticismo vulgar.

A sua maneira de narrar nada tem de malabarismos verbais, mas sim a busca da palavra essencial. A intenção de fundo está em exceder a simples aparência das coisas para revelar a verdade de personagens incapazes de compreender a natureza dos seus actos. Este propósito justifica o desvio dos assuntos, os espaços em branco, a destruição da sintaxe ou o recurso ao inacabado. Todos estes elementos se juntam em Não entres tão depressa nessa noite escura, compondo uma história que avança entre memórias, fantasias, confissões e surpreendentes rectificações, onde se coloca em questão tudo o que é narrado desde então.

Lobo Antunes organiza o romance em sete dias que correspondem aos sete dias da Criação. São sete dias que agregam em algumas horas as experiências de uma família reunida à volta de um pai moribundo. Uma intervenção cirúrgica servirá para reconstruir as peripécias de personagens da alta burguesia colonial do Portugal salazarista. Por baixo da aparente respeitabilidade esconde-se um passado duvidoso, onde a filha de um antigo governador de Moçambique se casará com um traficante de armas para salvar a maltratada economia da família. O casamento não evitará a catástrofe, quando a antiga colónia consegue a independência e o exílio forçado se impõe. Já na metrópole, não acabarão as fantasias sobre o esplendor perdido, mesmo quando os credores obtêm uma ordem de despejo que desapropria a família do seu único bem.

O narrador é Maria Clara, que reconstrói a história da sua família através dos fragmentos do seu diário, monólogos longos ou breves confissões a um psicólogo. É provável que o exercício da psiquiatria tenha ensinado Lobo Antunes a necessidade de destruir qualquer aparente ordem para reproduzir a maneira de como actua a memória. Talvez seja esta a razão para o narrador se desdobrar em outras vozes e inclusive chegue a questionar a sua idade e género. O resultado não é um enredo caótico mas uma exacta conjugação de vozes, com a unidade de uma grande oração. A polifonia do relato invoca isto a que poderíamos chamar a ética do leitor, segundo a qual não há experiência estética sem um esforço por complementar a obra que se lhe interpela.

Não entres tão depressa... é precedida de um poema de [Eugénio de] Andrade, que especula sobre a devastação do tempo. O curso das formas até à luz não poderá impedir a sua sentença de sombra. Essa é a conclusão de Maria Clara, possível filha ilegítima, adolescente que descobre a sua condição de mulher adulta e mãe, quando ainda tenta encaixar os fragmentos da sua infância. As suas incursões ao baú do sótão apenas lhe permitem resgatar uma foto velha com uma criança balançando num cavalo de madeira. Uma imagem desbotada para recompor um passado escurecido pela culpabilidade, o medo e a mentira. Maria descobrirá que nada é definitivo. A transformação faz parte da natureza das coisas. O murmúrio dos freixos ou a luz nas glicínias insinuam-lhe que não somos nós mas as coisas que nos observam, evidenciando a nossa inserção num mundo onde apenas se reflectem as nossas palavras. Definitivamente, uma grande obra que não se conforma em narrar uma história, antes tenta explorar as possibilidades da linguagem para explicar as relações - sempre equívocas, sempre imperfeitas - entre a memória e a experiência. Tal como Benet ou Faulkner, Lobo Antunes pretende muito mais do que escrever romances. A sua intenção é criar um mundo. Os seus livros corroboram esta sua condição de demiurgo.
 

por Rafael Narbona
05.06.2002
citado de El Cultural
[traduzido do espanhol por José Alexandre Ramos]

Mario Merlino: opinião sobre Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura


Como se lendo a noite fermentasse

edição Siruela (Espanha), 2002

Em português, o título tem sete palavras: Não entres tão depressa nessa noite escura. Sete, como os dias da criação que servem de tecido base, linha divisória entre as partes do extenso relato de António Lobo Antunes. Em castelhano são oito, por ser língua menos rica em contracções. Neste caso o tradutor não encontrou melhor saída que a literal, porque o título acarreta estas palavras.

NÃO. O "não" da desagregação. Uma personagem, Maria Clara, que se dispersa nas vozes das outras, que se escreve a si mesma e escreve os outros como se fosse eles, como autora do universo. O "não" que impõe limites ao leitor para que substitua a preguiça por outro prazer talvez mais voluptuoso: o de deixar-se levar, fazer do seu corpo o corpo de Maria Clara que por sua vez é feito dos fragmentos de outros corpos. O "não" da atenção dispersa, o não do abismo que alude a si mesmo uma entrega amorosa. De modo que, leitor,

NÃO ENTRES como quem espera acção e mais acção, movimento exterior, sacudidas, superação heróica de abismos insondáveis, maiúsculas de triunfo. Sê tu Maria Clara, que é dizer Virgílio e Dante ao mesmo tempo no seu trajecto pelo inferno, agridoce jardim das delícias, ou as figuras femininas e as masculinas.

NÃO ENTRES TÃO firme. Abandona a ideia de firmeza. O mundo é resvaladiço. Este romance é um poema e oferece um formoso exercício de leitura poética da prosa ou, as you like, leitura prosaica da poesia.

NÃO ENTRES TÃO DEPRESSA. Ou fá-lo sem pressa e sem pausa. O melhor que estas páginas têm é que chovem todo o tempo. Chove a dor e os maus tratos. Chove «Maria Clara-o-homem-da-casa». Chovem as doces dolentes palavras da delicadeza: «A velha senhora pediu um dedo de vinho da Madeira às escondidas. Metade derramou-se no colo, mas a metade que sorveu deu-lhe ânimo». A humidade é coisa poética. Por isso

NÃO ENTRES TÃO DEPRESSA NESSA obra intitulada em castelhano No entres tan deprisa en esa noche oscura. Faz o seguinte: inicia a viagem num comboio que pare em todos os apeadeiros. Toda a leitura é uma viagem. O poema de Lobo Antunes, distribuído pelos sete dias da criação, brincou com o rigor perverso do mito: uma semana, sim, mas impregnada de todas as turbulências, os arrebatamentos, o caos oportuno e inoportuno da consciência.

NÃO ENTRES TÃO DEPRESSA NESSA NOITE. Ou inventa a noite que quiseres. Ao fim e ao cabo, ao princípio foi o caos e as trevas. E se a morte está ao virar da esquina, também nos resta fazer da vida uma «desordem prudente» ou uma «ordem demente».

NÃO ENTRES TÃO DEPRESSA NESSA NOITE ESCURA, porque a noite fermenta, como a escrita, como o poema. Porque esta noite vamos fazer a noite lentamente (Alejandra Pizarnik?), por mais que outros teimem não há outra forma que não seja lendo, que é gerúndio em arrebatar o mundo, em condensar a noite muito depressa.
 

por Mario Merlino
tradutor espanhol de António Lobo Antunes
07.06.2002
citado de El Mundo
[traduzido do espanhol por José Alexandre Ramos]

Crónica «Nós» com reflexão sobre a sua leitura por Olga Fonseca

Nós Não precisávamos de falar. Como ele dizia – Tu sabes sempre o que eu estou a pensar e eu sei sempre o que tu estás a pensar ...